Elcy BarretoFernandes
"Num é com discurso. É com suor. Quem já transformou 12 mil vidas, pode transformar o Paraná inteiro."
3.100 famílias. 12 mil pessoas. Uma só voz que mudou tudo.
Na periferia de Curitiba, um homem sem cargo político, sem dinheiro e sem apoios institucionais conseguiu o que muitos diziam ser impossível: transformar a Vila Audi — um bolsão de 1,3 milhão de metros quadrados marcado pela vulnerabilidade — em um bairro com infraestrutura completa, dignidade e esperança.
O Menino do Jequitinhonha
De Jequitinhonha para o mundo
Elcy Barreto Fernandes nasceu em 24 de setembro de 1967, no Vale do Jequitinhonha, Minas Gerais — uma região historicamente marcada pela terra seca, pela pobreza estrutural e pela necessidade de migração como estratégia de sobrevivência.
No ringue de boxe, descobriu que a verdadeira luta não é contra o adversário, mas contra o medo, a desistência e a falta de esperança. No rodeio, aprendeu que coragem não é ausência de medo — é a decisão consciente de subir sabendo que se vai cair, e que cair faz parte, desde que se levante.
"No ringue, cê aprende que o maior inimigo num é o outro lá. É o medo aqui dentro. E o medo, cê enfrenta. Ou ele te come, ou cê come ele."
Montando bois bravos, Elcy aprendeu que enfrentar o desconhecido é o único caminho para superar o destino que outros escolheram para você. Do boxe e do rodeio, veio a força que mais tarde moveria montanhas na Vila Audi.
A força que veio do ringue e do rodeio
O Migrante
No final dos anos 80, como milhares de mineiros, Elcy migrou de Minas Gerais para o Paraná em busca de oportunidades. Chegou em Curitiba "com a roupa do corpo e a fé no bolso". Trabalhou como peão de obra, ajudante geral e comerciante informal — "onde aparecesse".
Construiu sua vida e, ao se deparar com a realidade da Vila Audi, viu não apenas um problema — viu uma missão.
"Cheguei aqui com a roupa do corpo e a fé no bolso. Num tinha nada, mas tinha disposição. E disposição, tchê, isso num compra não."
A Vila Audi
A geografia do abandono
- ✦ Água — ligações clandestinas
- ✦ Energia elétrica — ligações clandestinas
- ✦ Esgoto — 85% sem cobertura
- ✦ Ruas de terra sem pavimentação
- ✦ Alagamentos — 1.537 domicílios afetados
- ✦ Massacre de 2009 — 8 mortos
A geografia do desastre
Antes de ser bairro, o extremo sul do Uberaba era uma cicatriz industrial. Entenda como o território se tornou o palco de uma das maiores tragédias urbanas — e de uma das maiores vitórias — de Curitiba.
O cheiro da lama e o som do rio
Se você fechasse os olhos e fosse transportado para o extremo sul do Uberaba no ano de 1999, a primeira coisa que atingiria seus sentidos não seria a imagem — seria o cheiro. Um cheiro denso, úmido, feito de terra molhada misturada com esgoto a céu aberto, restos de comida fermentando nas cavas e o odor metálico da água do Rio Iguaçu subindo depois da chuva.
Depois viria o som. O ronco distante dos caminhões na BR-277. O apito do trem da RFFSA cortando a madrugada. O latido dos cães vira-latas. E, quando chovia — e chovia muito — o barulho da água invadindo casas, subindo pelas canelas, levando embora o pouco que as famílias tinham.
Por fim, a imagem. Não era uma favela como as do Rio de Janeiro, coladas no morro. Era algo diferente: uma favela horizontal, espalhada sobre antigas cavas de extração de areia.
Nesse cenário de 1,3 milhão de metros quadrados, entre o Rio Iguaçu, a linha férrea, a BR-277 e a Avenida das Torres, viviam 3.100 famílias. Cerca de 12 mil pessoas. Gente que não encontrou outro lugar para morar em Curitiba.
Não foi uma "escolha". Foi a única alternativa.
A Virada
Em 2000, os moradores da Vila Audi se reuniram e fundaram a Associação de Moradores da Vila Audi/União. Elcy foi escolhido presidente. Sem recursos, sem apoio político, mas com a força de quem sabe que a mudança começa pela organização.
No início dos anos 2000, diante da omissão do poder público e do alto número de acidentes na BR-277, Elcy e os moradores organizaram um ato de pressão que resultou no fechamento da Prefeitura de Curitiba por dois dias. O episódio foi decisivo para a inclusão das passarelas na BR-277.
"Ninguém fechou a prefeitura de Curitiba no centro. Foi uma pessoa que fechou, fui eu. Ou atende, ou ninguém trabalha."
Linha do tempo da transformação
De ocupação irregular a referência mundial. Os marcos que definiram uma geração.
As vilas do Bolsão Audi-União
Cada uma com sua própria geografia, sua própria dor, sua própria história. Conheça as comunidades que formavam o complexo.
Imagens da transformação
Da lama ao bairro. Cada imagem é um pedaço da história que o Elcy ajudou a reescrever.




Números que falam por si
Obras e realizações
As reivindicações da associação, organizadas a partir de 2000, foram incorporadas a um projeto integrado de habitação, saneamento, drenagem e urbanização, com investimento total de R$ 38 milhões do PAC 1.
Vertical Comércio: o desenvolvimento perto de você
Por que o desenvolvimento econômico precisa ficar concentrado nos grandes centros? O Vertical Comércio é uma proposta de desenvolvimento local baseada na aproximação entre moradores, comércio, serviços e oportunidades de trabalho.
- Geração de empregos diretos e indiretos
- Apoio e capacitação para pequenos empreendedores
- Compras coletivas com redução de 12% a 25%
- Redução de deslocamentos para aquisição de produtos
- Estrutura de segurança e monitoramento
- Implantação por unidades-piloto
Um plano real para o estado
Propostas construídas com base na experiência de quem já transformou uma comunidade inteira. Não são promessas — são caminhos comprovados.
Do bolsão ao mundo
O projeto de urbanização do Bolsão Audi-União foi reconhecido nacional e internacionalmente em três momentos distintos.
A ajuda dos canadenses
A transformação da Vila Audi não foi obra só de Curitiba. Veio de longe, de fora do Brasil — da cooperação internacional que acreditou no que a Associação de Moradores estava construindo.
Quando o projeto de urbanização do Bolsão Audi-União começou a ganhar corpo, a cooperação internacional virou aliada. O governo do Canadá, por meio de programas de cooperação em habitação e desenvolvimento urbano, somou forças à luta que Elcy e a Associação já travavam no chão da Vila Audi.
Essa solidariedade dos canadenses ajudou a dar respaldo técnico e visibilidade ao projeto — mostrando que o que nascia numa favela horizontal de Curitiba podia servir de referência para o mundo. Foi parte do caminho que levou a obra ao reconhecimento da ONU-Habitat e à finalista do World Habitat Award.
"Quem ajudou de perto ajudou. Quem ajudou de longe também ajudou. A Vila Audi é prova de que quando a gente se une, fronteira não é limite — é ponte."
Cooperação Canadá–Brasil em habitação
Visibilidade internacional do projeto
Solidariedade que virou obra
Projeto de urbanização do Bolsão Audi é finalista do World Habitat Award 2014/2015
O trabalho da Associação de Moradores, levado ao mundo pela ONU-Habitat e pela World Habitat (Reino Unido).


Elcy da Vila Audi
Elcy não troca de nome conforme a conveniência. Ele é, e sempre será, Elcy da Vila Audi. Porque foi lá que ele provou quem é. E é isso que o Paraná precisa saber: ele não promete — ele já fez.
Mesmo após a mudança oficial do nome do aglomerado para Jardim Parque Iguaçu em 2010, Elcy manteve a denominação "Vila Audi" como marca de sua identidade política. Uma escolha que preserva a memória histórica da comunidade e resiste ao estigma associado às ocupações precárias.
O empresário. O candidato. 45400
"Vila Audi não é mais sinônimo de violência. É sinônimo de transformação. E isso tem nome: Elcy Barreto."
O que sobrou da lama
Hoje, quando você caminha pelo Jardim Parque Iguaçu, vê ruas pavimentadas. Vê crianças indo para a Escola Raquel Marder Gonçalves. Vê idosos sentados na porta de casa com endereço formal. Vê o Parque Memorial do Rio Iguaçu, com suas lagoas de contenção, suas árvores, seu silêncio.
O que não se vê — porque não está mais lá — é a lama. As cavas. O esgoto a céu aberto. O medo da enchente. O medo do trem. O medo da violência.
Mas o que deve ser lembrado é isto: essa transformação não caiu do céu. Não foi obra de um prefeito iluminado. Foi obra de gente que se organizou. De uma associação fundada em 2000 por um homem chamado Elcy Barreto Fernandes. De 3.100 famílias que acreditaram que podiam mudar sua realidade.
Elcy não construiu as obras com as próprias mãos. Mas sem ele, as obras não teriam saído do papel. Porque ele foi o elo entre a comunidade e o Estado. Foi quem transformou dor em reivindicação. Reivindicação em projeto. Projeto em obra. Obra em vida.
"A história da Vila Audi não é uma história de favela. É uma história de gente que não aceitou ser invisível."
Quem já provou,
pode transformar.
A luta continua. O Paraná inteiro merece o que a Vila Audi já recebeu: transformação real, com resultados concretos e respeito às pessoas.
Elcy Barreto Fernandes
Deputado Estadual pelo Paraná